No dia 12 de outubro, o Brasil celebra duas datas que se encontram em significado: o Dia das Crianças e o Dia Nacional da Leitura. Mais do que uma coincidência, é um lembrete de que a leitura é um direito e uma condição essencial para o desenvolvimento pleno de cada criança.
Ler com fluência é mais do que juntar letras ou decifrar palavras. É compreender, sentir, criar pontes com o mundo e enxergar novas possibilidades. A fluência é o momento em que a leitura deixa de ser esforço e se torna prazer; quando a criança lê com ritmo, entonação e entendimento, passa a mergulhar nas histórias com autonomia, encantamento e pertencimento.
Ser um leitor fluente é abrir a porta para todas as outras aprendizagens. É quando a escola se transforma em descoberta e o conhecimento em liberdade. Quando a criança lê com fluência na idade certa, aprende melhor em todas as áreas, amplia seus sonhos e se reconhece como capaz de aprender o que quiser.De acordo com o Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF 2025), três em cada dez brasileiros entre 15 e 64 anos ainda são considerados analfabetos funcionais — pessoas que têm grande dificuldade de compreender pequenas frases e informações do cotidiano. Já o Indicador Criança Alfabetizada (ICA 2024) mostra que apenas 59,2% das crianças brasileiras estavam alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental. Os dados reforçam a urgência de garantir a alfabetização e a fluência leitora nos primeiros anos da escola, base para todo o aprendizado futuro e para a equidade educacional.
O impacto da colaboração pela alfabetização
Nos últimos anos, a alfabetização das crianças brasileiras tem avançado graças à colaboração entre diferentes organizações, educadores e governos.Entre as iniciativas que fortalecem esse movimento está a Parceria pela Alfabetização em Regime de Colaboração (PARC), apoiada pela Fundação Lemann, pela Associação Bem Comum, pelo Instituto Natura e outros parceiros. Presente em 18 estados, a PARC reúne redes de ensino e lideranças educacionais em torno de um mesmo propósito: garantir que todas as crianças aprendam a ler na idade certa.
Em 2024, mais de 1,3 milhão de crianças participaram das avaliações de fluência leitora desenvolvidas em parceria com o CAEd/UFJF, gerando informações que apoiam redes e professores no acompanhamento da aprendizagem. Os resultados mostram que 69% das crianças nos estados parceiros da PARC já leem com fluência — um avanço de 41 pontos percentuais desde 2021.
Esses números representam mais do que estatísticas: são histórias reais de crianças que agora conseguem ler uma história sozinhos, entender uma placa, escrever uma carta ou se encantar com um livro novo. Cada estudante que lê com fluência ganha mais do que palavras — ganha autonomia, pertencimento e a possibilidade de sonhar grande.
O papel de todos nós
A alfabetização é um compromisso coletivo. Professores precisam de formação, tempo e ferramentas para acompanhar o desenvolvimento de cada turma. Famílias e comunidades podem criar momentos de leitura em casa e na escola, valorizando o livro como parte da convivência. Pequenos gestos, como ler juntos antes de dormir, visitar uma biblioteca ou conversar sobre uma história, fazem uma diferença enorme.
O trabalho conjunto de educadores, gestores e famílias mostra que, quando há colaboração e propósito comum, a transformação acontece. A leitura é o ponto de partida para um futuro com mais oportunidades e mais equidade.
Um compromisso com o futuro
Mais do que uma habilidade escolar, a leitura é uma chave de acesso ao mundo e um direito de toda criança. Uma criança que lê com fluência imagina mais, compreende melhor e acredita em si mesma. Por isso, garantir a alfabetização e a fluência na idade certa é assegurar o direito de aprender, sonhar e realizar.
Neste 12 de outubro, celebre o poder da leitura: leia com uma criança, conte uma história, compartilhe um livro. Cada página lida hoje é um passo rumo a um Brasil mais justo, onde toda criança possa aprender e alcançar seu potencial.
Na Fundação Lemann, acreditamos que toda criança tem o direito de aprender, se desenvolver e sonhar grande. E isso começa com algo simples, mas transformador: um compromisso coletivo com a alfabetização e a fluência leitora, para que cada leitura abra caminhos que durem por toda a vida.
