No dia 16 de outubro, a Rede de Líderes da Fundação Lemann realizou o Aquilomba 2025, um encontro dedicado a fortalecer conexões, estratégias e visões de futuro entre lideranças negras, pardas e indígenas. A proposta foi criar um espaço seguro de troca e aprendizado, com foco em presença qualificada nos espaços de decisão e em alianças que sustentem trajetórias no longo prazo.
“Esse é um evento que tem como principal foco a construção de conexões estratégicas que viabilizam mais impacto, que ampliam a capacidade de transformação social dessas lideranças e que, no limite, tem como principal objetivo fazer com que cada vez mais pessoas possam ser atendidas por iniciativas lideradas por essas pessoas”, reforça Cosme Bispo, gerente da Rede de Líderes.
Vozes que sintetizam o encontro
A programação do Aquilomba 2025 combinou acolhimento, troca e trabalho colaborativo. Após a abertura, o evento seguiu com quatro rodas de conversa que refletiram desafios e caminhos de atuação das lideranças negras e indígenas. No debate sobre lideranças na política pública, as reflexões se concentraram em estratégias para ocupar espaços de decisão e fortalecer políticas comprometidas com a equidade racial. A roda sobre captação de recursos para organizações negras trouxe trocas práticas sobre sustentabilidade financeira e o fortalecimento de iniciativas de base. Em liderança e bem-viver, o foco esteve no cuidado, na saúde emocional e na importância de equilibrar propósito e autocuidado como parte do exercício da liderança. Por fim, a conversa sobre internacionalização da liderança destacou a ampliação de redes de colaboração e visibilidade global para experiências brasileiras de transformação.
Entre uma roda e outra, a percepção comum foi a força das conexões. Para Joel Costa, diretor do Instituto de Defesa da População Negra, destacou que “o Aquilomba é um espaço estratégico porque permite o encontro e a complementariedade das nossas ações. Aqui a gente tem talentos diversos, de espaços diversos, e a potência está justamente no encontro e na transformação que a gente pode fazer.”
A dimensão formativa também esteve presente. A cada conversa, surgiram referências, contatos e caminhos possíveis para avançar em financiamento, bem-estar e presença institucional. A educadora e agilista Naomy Oliveira traduziu o efeito do encontro sobre a carreira e a confiança das participantes ao afirmar que “a gente consegue construir coisas novas, a gente consegue se movimentar enquanto profissional. Então, espaços como o Aquilomba são fundamentais para o nosso crescimento e para o nosso fortalecimento enquanto lideranças negras.”
Na mesa “Narrativas de lideranças negras e indígenas”, com Michael Strautmanis, vice-presidente da Obama Foundation, a mensagem reforçou autenticidade, redes de confiança e colaboração de longo prazo como base da liderança. Ele ressaltou a importância de ocupar espaços sem abrir mão de quem se é e de construir alianças que sustentem o caminho.
O que levamos
A terceira edição reafirmou a força de trajetórias que, unidas por propósito e colaboração, constroem caminhos de transformação e equidade no Brasil. O Aquilomba 2025 foi mais do que uma agenda: foi um movimento de escuta, conexão e ação coletiva. Quando pessoas diversas se reúnem para sonhar juntas, o impacto se multiplica e o pertencimento se transforma em ação.





